Encontro Nacional dos 20 anos de Luta “Por uma sociedade sem manicômios”
Evento: Encontro Nacional dos 20 anos de Luta “Por uma sociedade sem manicômios”
Data: 05 à 09/12/2007
Local: Bauru / SP
RELATÓRIO
RELATÓRIO DA VIAGEM DA DELEGAÇÃO DO RS À BAURU
A saída da delegação do Rio Grande do Encontro de Bauru ocorreu no dia 05/12/2007, em frente ao Centro Administrativo. A delegação contava com 49 passageiros, entre eles: trabalhadores de saúde mental, usuário de diversos serviços do estado e estudantes de diferentes áreas. Dos 49 passageiros 33 foram subsidiados pela parceria estabelecida entre: CRP, CRAS, CREFITO, ESP/RS e Sindicato dos Psicólogos do RS. A viagem teve duração de 22 horas, saindo de POA por volta de 18 horas e chegando a Bauru por volta de 16hs do dia seguinte.
A viagem transcorreu sem problemas com a participação de todos nas brincadeiras e inclusive na produção de uma música sobre os 20 anos da Luta Antimanicomial, parodiando o Canto Alegretense.
Faziam parte da delegação usuários da Morada São Pedro e da Morada Viamão, usuários do CAPS ad de Alvorada e de Alegrete, usuários da Pensão Nova Vida, do CAPSad de Caxias do Sul juntamente com a equipe técnica que os acompanhavam.Também estavam estudantes da Unisinos, UCPEL e UFRGS.
O evento ocorria em três campus universitários diferentes, com muitas atividades, o que dificultava a participação em algumas mesas, rodas de conversa ou apresentação de trabalhos, mas mesmo assim foi muito proveitoso.
Concluindo os caminhos do Movimento da Luta Antimanicomial após 20 anos de Luta, apontam para grandes avanços, com novas tecnologias de cuidado e ampliação dos espaços de conquistas, com o apoio de diferentes categorias profissionais, bem como de usuários e familiares fazendo acontecer o controle social, garantindo assim a efetivação da Reforma Psiquiátrica brasileira.
Entre algumas novidades estão os investimentos feitos pelo Ministério da Cultura em programas de reinserção dos usuários através da arte e da cultura. O evento contou com a apresentação de vários grupos musicais de diferentes lugares do país composto por usuários dos serviços.
Muitas questões foram discutidas nas mesas redondas que apontavam para o cuidado como produção de vida, de arte e de cultura, questão das atividades extra muro dos CAPS, a questão da participação de “empoderamento” dos usuários e familiares no processo de construção e efetivação da reforma e garantia dos direitos dos usuários, bem como sua responsabilização pelos processos de saúde-doença, buscando intensificar o cuidado interdisciplinar e em rede.
Os dias de convívio entre: usuários, trabalhadores e estudantes, foram muito enriquecedores e na volta da viagem fizemos uma breve avaliação da participação da delegação do RS no encontro, bem como alguns encaminhamentos relatados a seguir:
ASPECTOS POSITIVOS:
A convivência no ônibus, entre usuários, trabalhadores e estudantes deixa um aprendizado jamais visto nos livros ou nos corredores acadêmicos, assim como o sentimento de pertencimento a um grupo que acredita na construção de uma sociedade mais igualitária.
A impressão dos estudantes com relação à convivência estabelecida entre usuários, trabalhadores e estudantes e os mestres estudados em muitos livros durante a formação e que se faziam presentes quase que o tempo todo se mostrando inseridos àquela realidade, de uma maneira simples e autêntica, mostrando pelo exemplo o que escrevem em seus livros.
Reconhecimento da força do Movimento da Luta Antimanicomial do estado do RS, comparado a outros estados brasileiros. Aonde chegava a delegação do RS era uma festa, com participação ativa de todos.
Para muitos estar em Bauru foi momento de revitalização, de retomar a militância, encontro consigo mesmo, um repensar da própria prática, de superar a fragmentação e o isolamento.A possibilidade de reconhecer o modelo de atenção integral interdisciplinar, superando a técnica, sem dispensá-la, mas vendo o indivíduo como alguém que precisa ser cuidado em primeiro lugar.Um dos tantos exemplos foi citado por um estudante que os crachás não eram diferenciados entre usuários, trabalhadores ou estudantes, o que coloca a todos como iguais.a
Reconhecimento de que quando se fala de 20 anos de Luta Antimanicomial é muito mais que falar de Reforma Psiquiátrica apenas, mas é ampliar ações que envolvem questões de sexualidade e gênero, posse pela terra, trabalho, saúde, dignidade. É um projeto maior que acredita e luta pela vida e por uma sociedade mais justa e solidária.
Integração maior entre outros movimentos presentes no evento, criando uma maior mobilização e dinâmica e integração entre os movimentos sociais, fortalecendo a luta.
ASPECTOS NEGATIVOS:
Apresentação de alguns palestrantes com linguagem técnica o que dificulta a compreensão por parte de alguns usuários. Procurar fazer mais mesas mescladas entre técnicos e usuários valorizando o potencial dos usuários e dando oportunidade para que eles tragam sua experiência como parte integradora do conhecimento científico.
O evento correr em locais diferentes, o que dificulta a participação em diferentes espaços pela dificuldade de mobilização e o pouco tempo para ir de um lugar ao outro.
ENCAMINHAMENTOS PROPOSTOS:
Ao final da avaliação foram propostas algumas sugestões que acreditamos poderá ser efetiva nos rumos da Reforma Psiquiátrica no Rio Grande do Sul. As propostas deverão ser encaminhadas à Comissão de Políticas Públicas para ver a viabilidade
Criar uma comissão com a participação dos diferentes conselhos de profissionais e a ESP/RS para dar suporte ao Mental Tchê, instituindo o evento como Encontro Oficial da Saúde Mental do Rio Grande do Sul, inclusive auxiliando na formatação do encontro, visando fortalecer o caráter científico do mesmo.
Lançar um concurso literário, pensando na publicação de um livro que poderá ser pensado e realizado em parceria com os outros conselhos profissionais e ESP. O conteúdo da publicação ficará em torno dos 20 anos da Reforma Psiquiátrica no Rio Grande do Sul com ênfase na interdisciplinaridade. A proposta deverá ser apresentada na plenária do CRP pela Comissão de Políticas Públicas para encaminhar o projeto e parcerias.
Loiva Maria De Boni Santos
Psicóloga Conselheira do CRPRS- 07/08149
Responsável pela Caravana Gaúcha no Encontro de Bauru
